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Not�cia: Verifica��o dos N�veis de Irradia��o das Esta��es R�dio-Base

Verifica��o dos N�veis de Irradia��o das Esta��es R�dio-Base                
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Apesar da  popula��o ter demonstrado apreens�o quanto aos efeitos associados ao campo irradiado pelas ERB, o problema dominante analisado pelas pesquisas � o da irradia��o do terminal port�til sobre a cabe�a do usu�rio. A partir da equa��o acima e com o valor da densidade de pot�ncia limiar, � poss�vel estimar a dist�ncia da ERB associada a este valor limiar. Para essa estimativa, ser� adotada uma an�lise de pior caso, como detalhado a seguir:
- ERB-TDMA, com 21 portadoras por setor;
- densidade de pot�ncia avaliada na dire��o de m�xima irradia��o de uma das antenas;
- apenas uma antena considerada no c�lculo;
- considera-se que todas as portadoras est�o em opera��o e com o mesmo n�vel de intensidade;
- valores t�picos de pot�ncia transmitida variando entre 30 e 45 dBm, e antenas com ganho t�pico de 10 dBi.
A Tabela 2 apresenta dist�ncias associadas ao limiar de seguran�a da ICNIRP, calculadas segundo a an�lise de pior caso descrita acima.
    
 Tabela 2. Dist�ncias te�ricas estimadas associadas ao limiar de seguran�a europeu para densidade de pot�ncia.
Os valores estimados na Tabela 2 s�o t�o pequenos que mal caem na zona de campo distante de uma antena t�pica de uma ERB - para uma antena operando em 900 MHz com dimens�o m�xima de 1 a 2 m, a dist�ncia m�nima de campo distante seria de 6 a 24 m. Ainda assim, eles servem como indica��o que existem circunst�ncias onde o p�blico pode ter acesso a �reas onde os limiares podem ser ultrapassados. A situa��o mais representativa deste caso corresponde a um apartamento � mesma altura de uma antena de uma ERB, com visada direta para a dire��o principal da antena. De fato, tal situa��o � mencionada por Moulder [3], que cita a dist�ncia t�pica de 6 m, em concord�ncia com os valores da tabela 2.
Deve-se ressaltar que as pot�ncias utilizadas no c�lculo acima s�o tipicamente para macroc�lulas. As pot�ncias para microc�lulas variam em torno de 20 dBm. Esta distin��o � importante pois � comum a instala��o de antenas microcelulares em postes ou paredes de edif�cios em alturas relativamente baixas (3 m), sem �rea ou grade de prote��o.
O tipo de tecnologia de acesso tamb�m deve ser levado em considera��o, no que se refere �s pot�ncias t�picas empregadas. Sistemas CDMA, por exemplo necessitam de menos pot�ncia para transmiss�o que os IS-136. J� os sistemas baseados na tecnologia GSM costumam operar com n�veis relativamente mais altos.
A situa��o de "pior caso", exemplificada, � bastante improv�vel. Primeiramente, apenas esta��es em �rea de muita demanda utilizam todas as portadoras, e apenas em hor�rios de pico elas estar�o ocupadas simultaneamente. A equa��o de densidade de pot�ncia representa ainda uma situa��o de propaga��o idealizada. Na pr�tica, o �ndice de decaimento com a dist�ncia assume valores maiores que 2 (3 a 5 tipicamente) [11]. Um outro argumento relevante refere-se � grande atenua��o em dire��es verticais em fun��o do diagrama de irradia��o da antena. Pr�ximo a esta��es macrocelulares que ocupam uma �rea pr�pria, torres com diferentes alturas s�o utilizadas. Al�m da prote��o natural conferida pela irradia��o reduzida na vertical, a dist�ncia que separa a antena do solo atenua ainda mais o sinal recebido nesta condi��o. Com rela��o a antenas sobre tetos de edif�cios, moradores de um andar imediatamente abaixo t�m a prote��o do pr�prio teto, que atenua bastante o sinal (10 a 20 dB tipicamente) [12], al�m da j� citada atenua��o direcional vertical da antena.
III.2. Medida
A avalia��o te�rica sobre o problema indica que apenas muito pr�ximo � antena de uma ERB � poss�vel, por�m improv�vel, estar exposto a valores em torno do limiar de seguran�a. Entretanto, a melhor forma de se verificar isto � atrav�s de medidas.
Uma extensa campanha de medidas na cidade do Rio de Janeiro foi feita. Foram coletados dados em �reas urbanas, suburbanas e rurais. A maioria dos testes foi feita na faixa de freq��ncia da tecnologia de acesso TDMA. Contudo, alguns dados foram coletados na faixa de freq��ncia CDMA e GSM.
Utilizando uma antena disc�nica, amplificadores apropriados, um analisador de espectro e um computador com placa de aquisi��o de dados, foi poss�vel verificar a densidade de pot�ncia em um determinado local, segundo a metodologia detalhada em [10]. A Tabela 3 apresenta os valores mais altos verificados em medi��es realizadas em regi�es consideradas suburbanas. A altura das torres variou de 40 a 60 metros e a EIRP variou de 40 a 49 dBm na regi�o suburbana.
A Tabela 4 apresenta os valores mais altos verificados em medi��es realizadas em regi�es consideradas urbanas. Nas regi�es urbanas foram coletados dados tanto em macroc�lulas quanto em microc�lulas. A altura das torres variou de 7 a 30 metros e a EIRP variou de 35 a 44 dBm na regi�o urbana.
 
   
  
 
Tabela 3. Valores de densidade de pot�ncia estimada (S) pr�ximo a ERB de uma operadora de telefonia celular a partir de medidas em regi�es suburbanas.
 
   
 
 
 
Tabela 4. Valores de densidade de pot�ncia estimada (S) pr�ximo a ERB de uma operadora de telefonia celular a partir de medidas em regi�es urbanas.
A Tabela 5 apresenta os valores mais altos verificados em medi��es realizadas no interior de um pr�dio de 6 andares, com uma ERB de 3 setores instalada em seu teto.
 
 
 
  
Tabela 5. Valores de densidade de pot�ncia estimada (S) pr�ximo a ERB de uma operadora de telefonia celular a partir de medidas no interior de um pr�dio de 6 andares.
Conforme esperado, observa-se que os valores verificados s�o muito menores que os limiares de seguran�a estabelecidos tanto na norma do IEEE quanto na do ICNIRP (6 e 4,5 W/m2, respectivamente). Segundo Moulder [3], por exemplo, uma ERB a 10 m do solo, na maior pot�ncia poss�vel, pode produzir uma densidade de pot�ncia de at� 0,1 W/m2 no solo pr�ximo � torre. Mas as densidades de pot�ncia efetivamente verificadas no solo t�m valores na casa de 0,0001 a 0,005 W/m2, muito abaixo dos n�veis das diretrizes de seguran�a. A ordem de grandeza dos valores est� em conformidade ainda, com outras medidas ou estimativas dispon�veis [13-16].
IV. Estudos Associando o C�ncer � Irradia��o de Microondas
Por d�cadas cientistas t�m estudado as formas pelas quais irradia��es, produtos qu�micos e drogas podem danificar as estruturas importantes das c�lulas, entre as quais o n�cleo (onde o DNA se localiza), a mitoc�ndria (que gera a energia da c�lula) e as membranas. Como base para o trabalho, eles constru�ram modelos de como o c�ncer come�a. Ele pode ser iniciado por irradia��o ionizante, que tem a capacidade de separar el�trons dos �tomos, e por carcinogens, subst�ncias que incluem do g�s mostarda � fuma�a do cigarro, e que podem desarrumar processos-chave como a divis�o celular [1].
Estabelecer liga��es entre o c�ncer e a exposi��o ambiental de qualquer tipo � muito dif�cil, por causa da falta de uma causa �nica de c�ncer, e por uma s�rie de outras raz�es. As ag�ncias de sa�de confiam principalmente em dois tipos de estudo quando investigam agentes carcinog�nicos (ou simplesmente carcinogens) suspeitos: estudos epidemiol�gicos, que envolvem an�lises estat�sticas de registros de sa�de de pacientes; e testes padr�o, realizados em animais ou em c�lulas [2]. Em nenhuma destas frentes tem havido evid�ncia replicada que a irradia��o de microondas cause c�ncer, mesmo em n�veis altos de exposi��o [3]. A pesquisa nesta �rea tem sido extensa, mas ainda assim n�o h� evid�ncias replicadas nem de estudos epidemiol�gicos, nem de estudos em laborat�rio, nos n�veis associados � exposi��o p�blica de antenas de ERB. Os relatos que indicam a associa��o entre c�ncer ou males associados ao c�ncer, s�o estudos com animais ainda n�o replicados [3, 17].
Os estudos epidemiol�gicos n�o t�m indicado associa��o direta entre o c�ncer e a irradia��o nos n�veis de densidade de pot�ncia normalmente encontrados emitida por ERB, mas sim a radia��es de intensidade em torno dos limiares de seguran�a atuais, ou maiores. E mesmo nesses casos, tais estudos n�o encontraram correla��es significativas [3]. Dentre os trabalhos mais relevantes que descartam a associa��o com o c�ncer, destaca-se o recente e grande levantamento da Associa��o Dinamarquesa do C�ncer, que avaliou os registros de mais de 420.000 indiv�duos que come�aram a usar celulares entre 1982 e 1995. Comparando os registros de c�ncer no c�rebro ou no sistema nervoso verificados naquele grupo com as taxas de incid�ncia da doen�a na Dinamarca, concluiu-se que o estudo n�o sustentava nenhuma liga��o entre o uso dos aparelhos e tumores cerebrais, nas gl�ndulas salivares ou mesmo leucemia [18]. A expressividade deste resultado como evid�ncia contr�ria da associa��o entre c�ncer e aparelhos celulares � destacada inclusive no Brasil, pelo oncologista Luiz Paulo Kowalski, diretor do departamento de cabe�a e pesco�o do Hospital do C�ncer, de S�o Paulo [19].
O c�ncer no c�rebro leva anos ou d�cadas para desenvolver, e os estudos epidemiol�gicos nada falam sobre riscos futuros. Detectar riscos de curto ou longo prazo de c�ncer n�o � f�cil. Para detectar pequenos aumentos de risco seriam necess�rios estudos muito amplos, que s�o dif�ceis de controlar e usualmente controversos em sua interpreta��o. Qualquer estudo v�lido deveria avaliar o uso individual de celulares durante uma d�cada ou mais, algo complicado dada a velocidade do desenvolvimento tecnol�gico [2].
Os estudos com animais tamb�m n�o t�m suportado uma liga��o entre c�ncer e celulares, de modo geral. Para que um estudo deste tipo seja associado a uma avalia��o de risco aos humanos, � preciso:
- replicar independentemente os resultados;
- realizar estudo similar com ratos normais;
- determinar a rela��o entre exposi��o e resposta.
Quando se deseja saber se algo pode causar c�ncer, normalmente come�a-se com um grupo sensitivo de animais (eventualmente modificados geneticamente para tal) e uma alta dose do agente. Isto maximiza a chance de se encontrar alguma evid�ncia. Se nada for encontrado sob tais circunst�ncias, pode-se ent�o ficar bastante confiante de que o agente investigado � n�o-carcinog�nico. Se, por outro lado, c�ncer em excesso for encontrado, torna-se necess�rio determinar se isto tamb�m ocorrer� em animais normais e/ou em doses mais razo�veis.
Outro ponto importante � a dificuldade em expor os animais a n�veis uniformes de irradia��o. Basicamente, ou os animais s�o tratados com liberdade de movimento com m�nimo dist�rbio, e se aceita uma maior incerteza da dosimetria; ou se obt�m uma boa dosimetria, ao risco de se produzir resultados artificiais devido ao manuseio e ao confinamento.
Com rela��o a estudos com c�lulas, sabe-se que agentes que possam danificar o DNA celular s�o presumidos potencialmente carcinog�nicos. Tais agentes s�o chamados de genotoxinas ou agentes com atividade genot�xica. Em geral, estudos de c�lulas expostas a RF n�o encontraram evid�ncia de genotoxicidade, a menos que a SAR fosse alta o suficiente para causar algum dano t�rmico [3].
V. Demais Efeitos em Estudo
A outra grande preocupa��o dos pesquisadores atualmente, com rela��o � exposi��o � irradia��o de RF, al�m da poss�vel associa��o com o c�ncer, s�o os chamados "efeitos n�o-t�rmicos". Na verdade, mesmo alguns estudos sobre o c�ncer est�o associados a efeitos deste tipo. Os efeitos n�o-t�rmicos n�o s�o mediados pelo calor, mas sim devidos � intera��o direta do campo eletromagn�tico com mol�culas ou componentes do tecido, uma vez que suas part�culas tentar�o se orientar com o campo el�trico de modo a minimizar sua energia potencial. Tais efeitos ainda n�o s�o muito bem compreendidos e suas conseq��ncias exatas para a sa�de humana ainda est�o sendo investigadas [4].
Um poss�vel efeito fisiol�gico � a dor-de-cabe�a. Na verdade, ningu�m tem alegado haver evid�ncias de que as irradia��es das ERB causem dores de cabe�a, mesmo porque, n�o h� base biof�sica ou fisiol�gica para tal. Entretanto, alguns estudos reportam este efeito nos usu�rios dos telefones celulares. Tendo em vista esta associa��o, � poss�vel que este efeito ocorra [3].
De maneira geral, os diversos estudos com usu�rios de aparelhos celulares indicando alguma evid�ncia de mudan�a comportamental ou fisiol�gica [3, 20] ainda n�o foram replicados. Em particular, considerando-se os baixos n�veis de exposi��o associados a uma ERB, nenhum dos estudos prov� evid�ncia substancial de que a irradia��o naqueles n�veis possa causar algum risco � sa�de. Na verdade, muitos dos efeitos reportados nem implicam necessariamente na exist�ncia de um risco [3].
Entre os controversos e n�o replicados efeitos � sa�de de pessoas analisadas citados na literatura est�o [3]:
- aumento na press�o sangu�nea;
- altera��o da atividade el�trica do c�rebro;
- pequenas mudan�as em exames de eletro-encefalograma (EEG);
- pequenas mudan�as no padr�o de sono;
- possibilidade de danos � barreira de sangue que resguarda o c�rebro de certas toxinas;
- mudan�as na percep��o de c�lcio pelas c�lulas.
- mudan�as na prolifera��o das c�lulas;
- redu��o da fertilidade de ratos;
- redu��o da alimenta��o e bebida de ratos;
- Defeitos de nascen�a e abortos.
Vale refor�ar que alguns dos efeitos acima s�o possivelmente efeitos t�rmicos, resultantes da exposi��o a n�veis altos de irradia��o. Nos n�veis da irradia��o emitida por ERB, insuficientes para causar tal aquecimento, n�o h� evid�ncias de tais efeitos [3]. Mais ainda, na contram�o da divulga��o de efeitos possivelmente perigosos, h� ainda v�rios trabalhos que apontam para a aus�ncia de efeitos nocivos [21-22].
Outra linha de pesquisa que vem ganhando aten��o � a que procura identificar efeitos n�o-t�rmicos associados especificamente ao fato de a irradia��o dos celulares ser pulsada, ou seja, ao fato do sinal irradiado ser modulado. O pesquisador norte-americano W. Ross Adey estuda tais efeitos h� mais de 20 anos. Uma de suas pesquisas, por exemplo, verificou que a irradia��o modulada em amplitude nas freq��ncias de 150 e 450 MHz poderiam produzir mudan�as na percep��o de c�lcio em c�lulas do sistema nervoso. Trabalhos posteriores de outros autores, entretanto, refutaram aquelas conclus�es [1].
Outro grande defensor da teoria de que a modula��o seria por si s� causadora de alguns efeitos fisiol�gicos e comportamentais � o biof�sico G. J. Hyland [23]. Entretanto, v�rios dos efeitos que ele cita s�o especula��es te�ricas controversas, e sua argumenta��o contra a depend�ncia dos efeitos com o n�vel de irradia��o submetida simplesmente contraria a l�gica.
VI. Percep��o ao Risco
Diante da controv�rsia envolvendo o assunto, a popula��o se sente desorientada e desprotegida, culpando as autoridades e as operadoras locais quanto a danos presentes e potenciais a sua sa�de. Uma abordagem psicol�gica bastante interessante sobre este comportamento � dada por Slovic [24]. Segundo ele, as atitudes do p�blico em geral a um risco potencial precisam ser perfeitamente compreendidas por especialistas e legisladores.
O conceito central, segundo Slovic, � que o p�blico freq�entemente interpreta evid�ncia cient�fica de modo muito diferente dos cientistas e, ao contr�rio, pratica o que � chamado "toxicologia intuitiva". Por exemplo, leigos tendem a prestar menos aten��o que os cientistas a informa��es t�cnicas sobre dosimetria ou intensidade de exposi��o. O mesmo parece ocorrer com trabalhos que venham a negar ou questionar uma evid�ncia de risco j� anunciada. Portanto, sua rea��o freq�ente � de medo ou mesmo certeza de uma contamina��o, mesmo que a exposi��o � toxina em quest�o seja t�o pequena que os especialistas as consideram seguras.
Mais ainda, os cientistas est�o mais a par que o p�blico em geral das limita��es dos estudos toxicol�gicos e epidemiol�gicos. Com isso, sua resposta a indica��es positivas de perigo � muito mais contida, reconhecendo que os resultados podem ter sido induzidos por vari�veis n�o controladas, ou que sua representatividade estat�stica seja discut�vel. Em contraste, os leigos tendem a ficar muito mais preocupados sobre descobertas que simplesmente indiquem a possibilidade de algum mal.
Slovic cita como ilustra��o para o problema, a rea��o dos norte-americanos aos poss�veis riscos de linhas de transmiss�o de energia (LT). Comit�s de especialistas determinaram que n�o h� evid�ncia conclusiva de risco para a sa�de da exposi��o aos campos el�tricos e magn�ticos por elas induzidos no corpo humano. Mas uma parcela significativa e persistente de preocupa��o por parte da popula��o tem levado a demandas para alterar a rota ou para enterrar as linhas de transmiss�o, mesmo que o custo seja alto. Tentativas de informar o p�blico em grande escala em termos n�o-alarmistas sobre a pesquisa em andamento sobre LTs t�m obtido o efeito inverso, levando as pessoas a ficarem ainda mais preocupadas.
Por outro lado, as preocupa��es do p�blico com rela��o aos campos induzidos em 50/60 Hz foram centradas nas pr�prias LTs e n�o nos muitos eletrodom�sticos de uso corriqueiro dentro de casa. Isto reflete o fato de que as percep��es e aceita��es do p�blico ao risco dependem do benef�cio percebido de uma tecnologia (baixo para LT, alto para eletrodom�sticos). Este parece ser o padr�o de comportamento dos brasileiros no que diz respeito � quest�o dos poss�veis efeitos biol�gicos da irradia��o dos celulares. Por mais que os especialistas indiquem que a maior exposi��o decorre da irradia��o do pr�prio telefone celular localmente sobre a cabe�a de quem usa, para a popula��o em geral, o telefone representa um benef�cio muito grande. Se h� algum risco � sa�de, que a culpa deste risco seja posta em um agente que n�o traga benef�cio direto: as ERB. Assim tem pensado a popula��o em geral, incluindo a m�dia n�o especializada, legisladores e magistrados locais (a ANATEL segue o padr�o dos especialistas).
As conseq��ncias da percep��o diferenciada ao risco t�m sido observadas no mundo inteiro. Cientes desta realidade, institui��es regulat�rias locais e internacionais t�m incorporado a discuss�o sobre o assunto em suas recomenda��es sobre os efeitos da irradia��o em microondas. A OMS, por exemplo, disponibiliza no site do projeto EMF um documento de orienta��o de comunica��o entre autoridades governamentais, empresas prestadoras de servi�o e a popula��o em geral, no que se refere aos riscos envolvidos na irradia��o eletromagn�tica [25]. Os minist�rios da Sa�de e do Meio-Ambiente da Nova Zel�ndia recentemente publicaram diretrizes nacionais para gerenciar os efeitos das r�dio-transmiss�es, em que a quest�o da percep��o ao risco tamb�m � evidenciada [26].
VII. Considera��es Finais
Apesar do n�mero de pesquisas indicando a seguran�a dos celulares e principalmente de suas ERB ultrapassar consideravelmente o de trabalhos que a questionam, a controv�rsia gerada entre os cientistas e a mobiliza��o da popula��o em busca de respostas mais adequadas a suas preocupa��es foram suficientes para incentivar novas pesquisas. Em particular, o grande questionamento tem sido por estudos sobre efeitos n�o-t�rmicos da irradia��o emitida pelos celulares, com �nfase na possibilidade de c�ncer. Tais pesquisas t�m sido financiadas principalmente pelas autoridades governamentais de alguns pa�ses, pois em geral � delas que se espera um posicionamento mais isento, voltado para o interesse de suas comunidades.
Seja qual for o desfecho das pesquisas mais recentes, a discuss�o deve continuar. Os celulares se juntam a outras tecnologias que envolvem eletricidade como radares policiais, terminais de computadores e linhas de transmiss�o que tem levantado temores p�blicos por causa de seus campos eletromagn�ticos. Tais quest�es s�o muito dif�ceis e levam tempo para responder, e a forma mais apropriada de faz�-las � identificando perigos reais, mas evitando controv�rsias improdutivas [2].
Em particular, a discuss�o atual centrada nas ERB que tem dominado a aten��o da m�dia n�o-especializada, assustando imprudentemente a popula��o, parece equivocada e exagerada. Mesmo que as pesquisas atuais e futuras venham a apresentar fortes evid�ncias de efeitos n�o-t�rmicos, apenas a partir do adequado entendimento sobre tais efeitos ser� poss�vel redefinir os limites de exposi��o das atuais diretrizes internacionais de seguran�a.
N�o menos importante no contexto atual � a quest�o da percep��o ao risco. Prova disto s�o os recentes esfor�os de algumas institui��es em evidenciar as conseq��ncias alarmistas e improdutivas que podem resultar das diferen�as de percep��o ao risco entre a popula��o em geral e os especialistas. Al�m da continuidade das pesquisas, parece hoje fundamental que autoridades governamentais e empresas exploradoras dos servi�os celulares se esmerem em estabelecer um di�logo respons�vel com a comunidade, tendo em vista a referida quest�o.
Agradecimentos
A L.H.G.Mac�do, J.F.Mac�do, L.S.Duarte e V.F.L.Carvalho pela participa��o ativa no desenvolvimento da metodologia de medi��o e nas campanhas de medidas realizadas.
Refer�ncias
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[2] K. R. Foster, "Are mobile phones safe?", IEEE Spectrum, vol 37, No 8, pp 23-28, Ago 2000.
[3] J. E. Moulder, FAQ on Cellular phone antennas (mobile phone base stations) and human healths, 23 Fev 2003 (�ltima atualiza��o), em
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[4] A. A. A. de Salles, "Biological effects of microwave and RF", Proceedings of the SBMO/IEEE MTT-S IMOC'99, Rio de Janeiro, pp 51-56, 1999.
[5] IEEE, IEEE C.95.1-1991, Standard for safety levels with respect to human exposure to radio frequency electromagnetic fields, 3 kHz to 300 GHz.
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http://www.mfe.govt.nz/publications/rma/radio-freq-guidelines-dec00.html
Autores:
 
Maur�cio Henrique Costa Dias nasceu em 25 de julho de 1970. Formou-se em Engenharia de Telecomunica��es no Instituto Militar de Engenharia (IME) em dezembro de 1992. Obteve seu t�tulo de Mestre em Engenharia El�trica, �rea de Eletromagnetismo Aplicado, sub�rea de Propaga��o, no mesmo Instituto em janeiro de 1998. Atualmente � capit�o do Ex�rcito, e est� em doutoramento, nas mesmas �rea e sub�rea do mestrado, no Centro de Estudos de Telecomunica��es (CETUC) da PUC-Rio desde mar�o de 2000. Seus interesses atuais incluem caracteriza��o de canal de propaga��o, teoria geom�trica da difra��o, estima��o espectral e teoria de "wavelets", entre outros t�picos das �reas de propaga��o e processamento digital de sinais. Em agosto de 2001, seu artigo "Ray-Tracing Analysis of 3.5 GHz Propagation at a Typical Urban Environment for FWA Systems" recebeu o "Amazon Microwave and Optoelectronics Prize" como melhor trabalho de um aluno de p�s-gradua��o na Confer�ncia Internacional de Microondas e Optoeletr�nica (IMOC 2001) da SBMO/IEEE MTT-S, em Bel�m - PA.
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 Robson Domingos Vieira nasceu em 24 de maio de 1976. Formou-se em Engenharia El�trica na Universidade Federal de Goi�s (UFG) em dezembro de 1998. Obteve seu t�tulo de Mestre em Engenharia El�trica, �rea de Eletromagnetismo Aplicado, sub�rea de Propaga��o, no Centro de Estudos de Telecomunica��es (CETUC) da PUC-Rio em Fevereiro de 2001. Atualmente � aluno de doutorado, nas mesmas �rea e sub�rea do mestrado, no Centro de Estudos de Telecomunica��es (CETUC) da PUC-Rio desde mar�o de 2001. Seus interesses atuais incluem caracteriza��o de canal de propaga��o, aloca��o de freq��ncia, sistemas com m�ltiplas antenas (MIMO) e aloca��o de recursos para sistemas de 3G .
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Gl�ucio Lima Siqueira, nasceu em Belo Horizonte, MG em 18 de agosto de 1952. Recebeu o grau de Engenheiro Eletr�nico e de Telecomunica��es com distin��o pela PUC/Minas em 1977 e o grau de Licenciatura em Matem�tica pela UFMG em 1978. Recebeu o t�tulo de Mestre (M.Sc.) em Engenharia El�trica pela UNICAMP em 1982 e o t�tulo de PhD. pela Universidade de Londres (University College London), Inglaterra, em 1989. Desde 1989 trabalha no Centro de Estudos em Telecomunica��es (CETUC) da PUC/Rio onde exerce o cargo de Professor Associado. J� publicou v�rios artigos t�cnicos em revistas especializadas e em confer�ncias nacionais e internacionais. Seus interesses incluem caracteriza��o de canal r�dio m�vel (medidas e modelamento), propaga��o em meios aleat�rios, atenua��o por chuva em enlaces terrestres, sistemas de comunica��o sem fio em geral dentre outros. Na PUC/Rio j� recebeu v�rias distin��es por suas atividades did�ticas e de pesquisa tendo orientado v�rias teses de mestrado e doutorado. Tem, nos �ltimos 10 anos, participado de projetos de pesquisa patrocinados por empresas do ramo. � membro de IEEE desde 1989.
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